segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MÃE

Ontem 6 de fevereiro seria aniversário da minha mãe, ela se foi à dez anos neste mesmo mês, no dia 12, como já mencionei em um dos capítulos do livro, Dolores ( era esse seu nome)merece um capítulo a parte......e como uma homenagem a ela, sentí o desejo de compartilhar com vocês um trecho dessa história real.
Do futuro livro
                               DOLORES
                     Linda jovem, loira cabelos ondulados, olhos verdes, as vezes azuis, tinha esse privilégio dependendo  do clima, da estação do ano, do humor. Nasceu no interior e sempre trabalhou muito. Quando ainda pequena levava almoço para o  pai e irmãos que trabalhavam na roça e quando cresceu um pouquinho, já levantava de madrugada e ia junto com eles. Lembro-me muito bem o dia em que perguntei como conheceu meu pai:  com brilho nos olhos e um suspiro fundo, voltou no tempo relatando com entusiasmo  o amor a primeira vista que sentiu. Contou sobre o dia  tão especial em que viu alguns rapazes cavalgando próximo ao lugar  em que morava. Entre eles um japonês,  jovem bonito montado num cavalo negro cujos pêlos brilhavam à luz do sol. Quando os olhares se cruzaram, numa atitude de puro romance e encanto ele tirando seu chapéu , curvou-se ante a beleza de Dolores. Com este simples gesto conquistou seu coração! Aquele amor foi selado para sempre!
                      Em pouco tempo estariam casados.
Foram morar no interior de São Paulo. Uma casa simples, mas repleta de felicidade! Três crianças seriam as jóias a completar a alegria do casal. Valter um lindo menino, cabelo pretinho liso, e olhinhos puxados como o pai, Doraci uma linda loirinha de olhos azuis cor do céu, Terezinha outra doçura de bebê, cabelos pretos  ondulados e   olhos verdes como os de mamãe.
                    Tudo ia muito bem, uma família que crescia rapidamente, minha mãe sempre cuidadosa com as crianças, o marido e  a casa, planejavam mudar-se  mais próximos da capital, pois preocupavam-se  pela ausência completa de  assistência médica na região.
                  Quarto ano de casamento e mais um bebê era esperado. No sétimo  mês de gestação,  na rotina quase diária de ir  ao rio lavar roupas, onde enquanto fazia seu trabalho,  as crianças  brincavam na água. Num desses dias, ao voltar para casa percebeu que uma  delas estava  quentinha, parecendo sinal de febre a vista, ficou preocupada, deu os costumeiros chazinhos, mas a febre continuou subindo, e agora não somente uma, mas  a segunda criança e a terceira. Devido a distância e falta de locomoção, quando conseguiram um médico e tratamento já era tarde demais! Era sarampo! Doença que se não descoberta e tratada imediatamente leva á morte. Foi o que aconteceu. No prazo de um mês, três pequenos caixões brancos saíram daquele que um dia fora um recanto de alegria. Do dia para a noite, transformara-se numa casa de funeral de inocentes, onde o choro o desespero e a dor eram ouvidos pelas pessoas que passavam ao longe. Vocês conseguem imaginar a dor de perder um filho amado, na época mais bonita da sua vida?  Multiplique esta dor por três! Esta foi a tragédia de  Dolores! A coitada enlouqueceu literalmente!
                  Meu pai a internou, afinal ela estava grávida de mim e corria sério risco de aborto, mudaram-se para a casa da minha avó,  já na capital.
Dolores e eu sobrevivemos àquele período pela graça de Deus!  Como vocês podem ver, eu sou fruto de um milagre desde o ventre  da minha querida mãe!
                  Nasci em  meio a esta situação. Minha mãe permaneceu hospitalizada por dois meses em tratamento de choque, eu fui para casa, sendo cuidada pela minha avó. Após receber alta, Dolores  ao reencontrar-me  naquele bercinho com pouco mais de 2 kg, toda ferida por pernilongos que aliados a escassez de  leite recebido, me fizeram regredir, aquela cena foi suficiente para que essa heroína voltasse a vida! A primeira coisa que fez, foi arranjar-me uma ama de leite.madonnadeleite, canoto ( Brasil 1985),ost, 80x100 Uma negra forte “tetuda”, cheia da “sustança” que eu sempre amei e amo, as minhas gordurinhas  sempre atestaram e ainda atestam que falo a verdade (Risos).  Á partir dali todo o amor e cuidado devotado aos meus três irmãozinhos foi entregue a mim. E que cuidados!  Tenho memórias de tantos detalhes: Entre estes faço questão de esclarecer que Dolores também não me dava moleza. Eu que havia aprendido a manobrar meu pai com carinhos e dengos, conseguindo dele presentinhos  que diariamente vinham no retorno do seu trabalho. Com Dolores era diferente. Ela conservava atrás da porta sua “varinha mágica”,  pois sabia  das minhas travessuras que incluíam pegar emprestado, sem autorização é claro, o pó de arroz da minha avó, seus colares, misturar todo mantimento da despensa  e até sair correndo com suas grandes “calçolas engraçadas” na cabeça.  A única coisa que refreava minha saúde  e meu ímpeto de aprontar, era aquela varinha. Não tenho dúvida nenhuma que era “mágica” porque todas as vezes que minha mãe ia dormir eu saía bem quietinha para tratar aquela malvada como ela merecia. Eu a quebrava toda e jogava para fora de casa, porém como a tal era “encantada” todas as vezes que novamente minha mãe recorria a ela, a bendita já  estava lá novamente! O pior de tudo é que a medida que eu crescia, a vara indestrutível ia crescendo também junto comigo!
Minha relação com Dolores era de amizade e profundo amor, mas também  como diz aquela música de forma parafraseada “entre varas e beijos”.
MÃE! Sinto tanto sua falta , de cortar os seus cabelos, fazer as suas unhas, levá-la para fazer compras, de ouvir sua voz todas as manhãs me ligando para saber se estava tudo bem e abençoar o meu  dia e muitas vezes dizendo ter sonhado comigo e que enquanto orava por mim, Deus lhe dizia que eu tivesse fé e esperança porque tudo iria dar certo. Sinto falta do seu colo, do seu ombro, da sua voz... e até da sua varinha mágica.
Amo você eternamente!

2 comentários:

Keilor disse...

Não importa quantas vezes eu escute ou leia essa história. É impossível não se emocionar!!! Sinto muita falta e saudade da vó tb! Ela nos ensinou muito e tinha um amor profundo por nós...

Deus nos deu o privilegio de tê-la como avó, e nos concedeu muitos anos na sua companhia. O nosso consolo é saber que teremos uma eternidade para estarmos juntos.

Fica aqui registrado o nosso imenso amor e saudade da vó Dolores!!!

Keilor, Paty e a bisnetinha Evelyn!

Kleyton & Lucibele disse...

A vó Dolores era muito fofa...aquele tipo de vozinha que sempre estava toda arrumada, super perfumada...dava vontade de apertar e encher de beijos...foi uma honra pra mim tê-la conhecido...sempre ficara em nossos coraçoes eternamente!

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