quarta-feira, 27 de abril de 2011

OVELHA LEÃO


Bom dia aos meus quase  "Um milhão de amigos".

               Como é bom poder voltar e compartilhar com vocês um pouco  da minha história. Este capítulo do futuro livro   é o meu favorito e tem um significado muito especial para mim. Estava guardando para o final.
                No grande  jogo da vida sempre haverá oportunidade para reassumir a vantagem e conquistar a vitória final. Estou lutando para virar este jogo!

Do futuro livro:


DESCOBRINDO A OVELHA E O LEÃO QUE EXISTEM EM MIM
               Foi muito triste e difícil àquele dia em que o meu primeiro marido chegou em casa. Depois de uma  longa viagem a trabalho, de forma fria e decidida, comunicou que iria embora definitivamente. Tínhamos três  filhos, na época  com oito, cinco e dois anos. Este foi o nosso presente de natal!  
A grande  surpresa disto é que  até então sempre tivemos um bom relacionamento. Não me lembro sequer de brigas ou discussões durante o período que vivemos juntos.
 Meu mundo ali naquele dia estava ruindo. Era como se existisse um universo paralelo e mal, o qual eu não conhecia e que agora apresentava-se  a mim da forma mais cruel  possível, tirando-me o chão e roubando-me as esperanças. Não quero pintar quadros de vítimas e vilões, pois o meu objetivo maior nem é expor pessoas ou denegri-las,  mas compartilhar como a vida prepara-nos  e como muitas vezes sentimo-nos perdidos e indefesos.
Senti-me  como uma ovelha  ferida junto à sua cria,  sendo levada direto para o matadouro. Durante dois anos inteiros estive em profunda depressão. Muitas vezes depois que fazia os meninos dormirem, ficava olhando para eles e em meio a lágrimas, buscava em mim coragem para de alguma forma dar fim àquela situação,  poupando a eles  e a mim de um futuro terrível e incerto. Vejam a  insensatez de uma mente doente:  achava que isto viria através da morte!

               Saiba que o medo é na realidade uma sombra,  e que é você quem  escolhe o corpo em que ela irá se projetar. Naquela época sem saber, eu mesma liberei um gigante e aquele inimigo horrendo  soube bem fazer o seu papel. Se pudesse voltar no tempo, com a sabedoria que Deus me deu através das lutas, teria escolhido o corpo de um  tampinha, de um pequeno anão, pois então eu mesma ainda que ovelha, poderia dar uma forte cabeçada no traseiro dele, mandando-o para bem longe de mim e dos meus filhinhos.  Mas como precisava  passar por aquilo para crescer, vencer e voltar a ser feliz, Deus permitiu tudo , mas nunca nos abandonou!
               Tem uma parte da Bíblia que diz : “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Que  negra e longa foi aquela noite! Mas como tudo de bom ou de ruim na vida: passou!
                 Deus  deu-me um trabalho,  sustentou-nos, deu-me um novo marido que inclusive era pastor, e agora  eu  e meus filhos  como ovelhinhas, tínhamos um duplo guardião para nos proteger (pelo menos era isto que eu pensava na  época).
                Os anos se passaram, os meninos  cresceram , mudamos de estado. Uma  nova cidade, uma nova vida, amamos este lugar. O  nosso filho mais velho passou sua adolescência aqui. O Marcos, meu segundo marido, tendo se casado comigo ainda bem jovem , não tinha  a devida maturidade e sabedoria para relacionar-se com os meninos. Queria, bem intencionado ser pai  deles , com todos os direitos e deveres , descobrindo apenas mais tarde, depois de muito sofrimento  para  todos, que eles precisavam na realidade era  de um amigo. 
 Nossos filhos  sempre foram ensinados no caminho de Deus, da honestidade e da independência, e isto eu devo a Deus e a ele.  O Marcos dizia que esperava que cada qual com no máximo  21 anos de idade, pudesse  ter iniciado sua “carreira solo”. Foi assim que o Kleyton antes desta  idade , sem falar uma palavra em inglês (desculpe o exagero, ele foi orientado à  em caso de fome falar “Hot Dog” ou “Number One” dentro do Mc D’nalds.  Risos), se viu embarcando rumo à Nova York. Ainda guardo no coração a imagem do meu primeiro “bebê”, partindo como uma ovelhinha muda, dando seu último aceno em busca da realização (não sei se dele ou nossa). Como mãe, nunca  concordei com aquela partida! Mas Deus que permitiu, estava no controle.
                Estados Unidos. Cidade de Nova York. Nossos amigos Wilson e Penha foram receber nosso filho  no aeroporto. Eram o único elo conhecido naquela terra. Ficou  na casa deles durante um mês. Depois disto, eles voltaram para o Brasil. Ele, agora sozinho na maior cidade do mundo!  “Ralou” trabalhando de engraxate, garçom, entregador de pizzas. Na tentativa da “ascensão” profissional fez de tudo. Sofreu de frio, solidão e  medo! Compartilhou tempos depois  ,  que muitas vezes pensou em jogar-se na frente  do metrô   que o conduzia diariamente do trabalho para o seu pequeno “basement” (porão  que é usado por muitos como morada).
               Como disse anteriormente,  “tudo passa na vida”! Nosso  primeiro “baby”não  desistiu, cresceu em todos os sentidos. Tornou-se um homem forte e vencedor! Anualmente passei a visitá-lo, e a cada ida me surpreendia com as transformações que aquela  grande cidade, a solidão e a vida impuseram a ele. Ví o pequeno cordeirinho da mamãe ovelha, transformar-se num grande e forte “leão”.  Que orgulho tenho dos meus filhos, isto inclui você também Ana Carla, minha filhinha do coração! Cada qual tem sua história de dificuldade, luta e superação! Tal qual mamãe!  No seu último  trabalho em Nova York,  falando fluentemente o inglês,  já ganhava muito bem, tendo seu próprio negócio, fazendo aquilo que mais gostava, dando manutenção  e executando projetos e fabricação de aquários de  peixes  ornamentais. Quando vejo nos filmes a  grande “Big Apple”, me lembro dos muitos dias que estive ali, ao lado do meu  “leãozinho”, conduzindo mamãe aos mais belos  lugares!  Praças, teatros, restaurantes, igrejas, lojas, tudo foi explorado , e como foi! A cada visita as malas se tornavam maiores para caber tantas “bugigangas” básicas e fundamentais.
 Só tinha medo mesmo era da alfândega no retorno ao Brasil. Confesso que continuo tendo (Risos)! Foi neste tempo que aconteceram duas coisas importantes:
 Meu filho resolveu comprar um tripé,  telas, tintas e  pincéis para que eu pudesse pintar figuras de peixes. Foram baleias, suas grandes caudas,
 peixinhos coloridos que dispostos com orgulho na sala, supriam as lembranças nos momentos de saudades. A partir dalí, tornou-se uma tradição: todas as vezes que ia, era um novo tema e desafio proposto por ele, para que eu desenvolvesse.
Outra ainda mais importante, que eu  usando mais um dos talentos que Deus me deu,  agora o de “cupido “(risos), apresentei aquela que seria  a linda leoa que acompanharia  meu filho pelo resto da sua vida. Uma bela brasileira que trabalhava comigo, pulou da posição de minha secretária, para ocupar um lugar no meu coração como minha filha!  A coitada, agora recém casada, transferindo-se  para uma cidade estranha, entre tantos inconvenientes e lutas de   uma grande mudança de lugar e de vida,  apenas meses após seu casamento, exatamente no dia 11 de setembro  de 2.001, recebeu  estarrecida  a notícia que  as torres gêmeas, símbolo maior do   próspero sistema capitalista dos Estados Unidos havia acabado de sofrer um ataque terrorista!          
 Sozinha em casa,   ligou para o Brasil em total desespero!  O impacto da tragédia, a vulnerabilidade daquele lugar  que se pensava muito seguro, o medo do que poderia estar por vir, fez com que os dois pensassem seriamente em voltar para o Brasil. Eu e o Marcos fomos  para lá, chegando no dia 28 de setembro  para dar-lhes apoio . Seria fácil fazer isto por telefone, mas existem certas guerras que precisamos combater juntos como família, e resolvemos fazer isto de perto.
                                Dizem que a arte imita a vida, e os desafios aumentaram para eles e para mim própria.  Mudaram-se para Miami em 2.004, para iniciar uma sociedade num novo negócio. Foi lá que nasceu meu primeiro netinho, Josh. Tive a honra de dar-lhe o primeiro  banho e presentear-lhe com um poema do coração!   A tradição das pinturas anuais continuou. Na última, o Kleyton chegou  em casa com uma  grande tela, acompanhado de todos os apetrechos. Mas a  maior surpresa foi a apresentação do desenho : Um grande e forte Leão!  Imponente, olhar penetrante, sereno e vencedor. Abaixo dele aninhado na sua grande juba, uma  pequena e frágil ovelhinha! Fiquei tão assustada  e fascinada pela beleza e impressão do desenho que me senti menor do que aquele doce  animalzinho , diante da difícil obra de retratá-los com a beleza e vividez que mereciam. Fiquei 30 dias em Miami. Foram semanas dormindo preocupada, sentindo-me  incapaz até mesmo de começar.
                  Diariamente ele chegava em casa, e com um sorriso me perguntava:
               “- E aí Dona Tuca, como vai o nosso Leão?”
                  À medida que passavam-se os dias aumentava minha angústia e o sentimento de incapacidade. Meu filho,  na minha imaginação tal qual aquela ovelhinha (só podia ser para ser tão ingênuo. Risos) , via  em mim a força e o talento para retratar aquele leão. Foi então numa noite, faltando menos de uma semana para eu voltar ao Brasil, que  pedi a Deus a inspiração dos céus para pintar aquele quadro. Confessei que não tinha preparo nem capacidade para tão difícil tarefa, prometendo a ele que se fracassasse seria eu a mulher a falhar. Mas caso tivesse a inspiração, a ajuda dele, eu iria reconhecer que a glória e honra do sucesso daquela pintura  seria do grande Deus e não minha.
                Pare de olhar para si mesmo, como alguém  menor  daquilo que você realmente é! Se não conseguiu  alcançar ou executar algo importante hoje, não desista! Convide Deus para ajudá-lo a  realizar seus sonhos! Fiz  isto, e tive uma das maiores experiências da minha vida!  São  nas maiores crises e problemas que recebemos uma capacitação especial, que nos habilita a enfrentar e vencer os nossos desafios!
                           Durante 3 dias trabalhei  com a  “mão de Deus” àquela tela,  e a medida em que  cada traço ia nascendo,  via algo que eu própria jamais seria capaz de pintar e retratar, em meio á lágrimas,  fascinação, e entusiasmo.  Viajei e revivi toda a minha história e a da minha família! Parece que enquanto o meu grande parceiro  e verdadeiro   artista  por um lado pegava em minha mão para ali executar sua obra, ele mesmo como Deus Todo-Poderoso  dirigia-me numa viagem “surreal” por todos  os lugares e caminhos difíceis pelos quais passei, chorei  e sofri. Encontrei-me com minha mãezinha tão querida que Ele abruptamente havia levado de mim, vi meus casamentos  e nossas histórias . Vi cada um dos meus filhos, seus traumas e as lutas que tiveram que enfrentar. Vi o câncer monstro maldito, que havia  roubado uma parte de mim! Ao final, a doce mão do meu Deus  trouxe-me de volta,  e como num passe de mágica, colocou-me novamente naquela sala onde a obra acabada, não somente mostrando-se sublime e perfeita,  trazia-me uma realidade em terceira dimensão,  a qual guardei para mim  mesma, pois ainda não era hora de revelar: Aquele Leão era Jesus, até aí eu sabia. Mas também  aquele quadro, era eu! era o meu filho Kleyton! era o retrato da nossa história e de todos aqueles que se viram frágeis ovelhas sendo levadas ao matadouro! Açoitados pela injustiça da vida, pela maldade, dureza e egoísmo dos homens! Ovelhas que não desistiram, e como prêmio foram transformados em Leões: Eis o que somos! Eis no que nos transformamos!
                          

                  Dizem que “Deus escreve certo por linhas tortas”.  O mais tremendo e fantástico é que Deus  se preocupa até mesmo com os detalhes. Nada lhe passa despercebido.  Sabe o  dia em que o quadro foi  terminado? Dia 15 de junho de 2.007. Dia do aniversário do nosso filho!  Este foi o nosso  presente para ele, meu e do meu Parceiro, Artista, Amigo e Pai.

                    Obrigado Deus pelo teu grande amor que nunca nos abandonou, e em meio às tragédias e horrores da vida, conduziu-nos a um lugar de descanso, e tornando-nos fortes e corajosos devolveu-nos com amor a esperança, a alegria e a paz!
                                   

Um beijo à todos,
Matilde (Tuca)


4 comentários:

carol disse...

Saudades!!!!!!!!!!!
beijos,

Kelton.

carol disse...

Saudades!!!

Beijos,

Kelton.

Aninha disse...

Não tenho palavras pra descrever esse texto, simplismente FORÇA...A força que Jesus nos dá a cada dia para atravessarmos nossas barreiras e romper com toda tristeza, dúvidas, misérias, desesperanças...CONFIANÇA é a palavra que devemos levar em nossos corações!!Que o Senhor Jesus esteja sempre presente em sua linda jornada!!Que os raios de Sua divina Misericórdia que saem do Seu sacratíssimo coração infundem em todo o seu ser!! Amém.

Karina - Frei-Sein disse...

Ler essa sua postagem me encheu de sentimentos e uma emoção transbordante!! Conhecer-te um pouquito mais além, fiquei com sede de quero mais e não vejo a hora desse livro sair!!
Hoje vima aqui também para lhe desejar um Feliz dias das Mães, a você pessoa tão maternal e querida o meu beijo mais do que especial!! dessa tua admiradora que te quer tão bem!!
Beijinhos doces!!

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