sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

NAO COLOQUE O MORTO NO CONGELADOR......

                        Bom dia aos meus "quase 1 milhão de amigos":

     Algumas pessoas tem me aconselhado dizendo que não devo colocar textos todos os dias, afinal nem sempre todos tem tempo de ler e de fazer seus comentários naquele dia. Por outro lado, fico precoupada  no sentido daqueles que entram no blog diariamente para ver as novidades, e não encontrando comecem a não mais abrir diariamente. Eis uma grande dúvida: Não sei ainda o que realmente devo fazer! Por isto peço a ajuda de vocês. Por favor, façam comentários sobre os textos (não quero receber somente elogios, mas também sugestões, experiências de outras pessoas  e até mesmo críticas).  Também me disponho a colocar textos enviados pelos seguidores e colaboradores.
Resumindo: Quero e preciso da participação de todos! Um simples comentário me alegra muito, pois demonstra que as pessoas estão lendo e participando.
Obrigado, e reflitam sobre o texto de hoje!

Do futuro livro:


NÃO COLOQUE O MORTO NO CONGELADOR SE NÃO PUDER RESSUSCITÁ-LO.

                           Moramos  num sítio por alguns anos no interior de São Paulo. Nada fora do comum, bem simples até, mas para mim o lugar perfeito.  A casa principal, a casa de hóspedes, as arvores de jabuticaba, laranja, mexerica, maçã. E as flores então... Hortênsias, rosas, orquídeas. Minha horta, com alface, couve, tomate. Um campinho gramado que as crianças  jogavam bola. Um lindo cachorro da raça “fila brasileiro”,  tigrado, chamado Apolo.
Tínhamos também um  pequeno lago, onde criávamos carpas , brancas, vermelhas, laranjas, negras, eram o prazer principalmente do Kleyton, nosso filho mais velho. Quantas recordações temos daquele lugar! Uma delas, particularmente marcante e engraçada, até hoje é lembrada em brincadeiras  por nós  e pelos nossos três filhos mais velhos (na época o pequeno Samuel ainda não havia nascido).  Depois de uma grande enchente  que passou pelo nosso sítio e que levou praticamente todos os peixes do lago, deixando apenas  muito barro, peixes mortos e apenas alguns vivos.  Meu marido chamou os meninos para o ajudarem a esgotar o lago, limpa-lo, contar os peixes, e prepará-lo para que não sofresse mais danos com futuras inundações. Na difícil tarefa, a maior tristeza foi constatar que a maior e mais linda de todas as carpas,  que era toda branca, com a cabeça vermelho sangue  havia morrido. O  Kleyton (nosso filho mais velho), tomado pela dor da perda de “ente tão querido”, resolveu colocá-lo num saco plástico e guardá-lo no congelador. O fez,  de forma discreta, deixando somente os dois  irmãos saberem. Dias se passaram, já havíamos  recuperado o lago,  e soltado novos alevinos.
                 Era domingo. Tínhamos o costume de ler a Bíblia. O texto daquele dia, falava da história de um homem chamado Lázaro, o qual era amigo de Jesus, e que havia ficado doente, porém Jesus não se encontrava por perto para curá-lo.   A  evolução da doença  levou  àquele homem à morte, e quando por fim Jesus foi  visitá-lo, ele já se encontrava morto á  quatro dias. A história é linda e emocionante, sobretudo porque ao final dela, Jesus ordena ao homem , que saísse da sepultura e voltasse a viver! 
                         Os meninos ficaram extasiados. O Keilor (com 10  anos na época), perguntou:
               “- Marcos  Jesus ainda ressuscita  mortos nos nossos dias?”
               “- Claro, a fé pode fazer qualquer coisa. Pode inclusive ressuscitar mortos.”
                    O Keilor não precisava de mais nada. Saiu em disparada rumo ao frizzer, pegou a sacola com a carpa e correu  em direção ao lago. Todos nós fomos atrás. Até então ninguém estava entendendo nada, pois nem sabíamos que aquele peixe estava no congelador. Numa atitude de   fé e pureza, ele jogando-o  no lago, e dobrando os joelhos começou a falar com Deus:
              “- Senhor Jesus o Senhor que ressuscitou a Lázaro, eu te peço que ressuscites a nossa carpa, pois queremos que ela volte a viver”.
                       O contexto daquele momento foi de tremenda emoção e espiritualidade. O Kleyton que era a parte mais interessada, não sei se tomado de entusiasmo ou de dúvidas pela fé do irmão, permaneceu de olhos abertos, e pôde assim ver que seu fervoroso companheiro de aventuras e traquinagens havia ajoelhado exatamente em cima de um formigueiro, e gritou:
                 “-Sai daí seu  Mané!  Você está ajoelhado em cima do formigueiro”.
                      Naquela altura todos nós já estávamos de olhos abertos e pudemos ver a espiritualidade do Keilor sendo colocada em prova. Em meio às dolorosas picadas ele gritou:
                   “- Mamãe, vamos continuar orando porque o Diabo está furioso!”
                       Dito isto e olhando agora para o lago ele declara:
                  “-Gente o milagre já está começando a acontecer!”
                 Nisto, quando olhamos na direção do peixe  que  congelado ainda boiava, começaram a sair bolhas d’água, o que tornou o ambiente ainda mais espiritual: Todos agora agradecendo a Deus e vibrando pelo milagre ao vivo e á cores! Mas aquilo não durou muito. De novo o mais velho, entrando na água tal qual “Tomé incrédulo”, disse:
                     “- Vocês não estão vendo que estas bolhas são porque a carpa está descongelando e não tem nada a ver com ressurreição? “
                          E antes mesmo que a assistência pudesse dizer qualquer coisa, ele num ímpeto de racionalismo e raiva pegou  o “quase”ressurreto peixinho, e jogou-o para bem longe, no meio da mata.
                         Como disse antes, esta história  marcou-nos muito, e a grande polêmica na nossa  família (até hoje  não chegamos a um consenso. Aliás se vocês tiverem  uma revelação sobre isto, por favor, no final da leitura, escreva. Risos), é que uma parte dela acredita  piamente que se  o  “incrédulo” do Kleyton não tivesse jogado o peixe vivo;  sim porque a esta altura ele já estava vivo e ressurreto, e ele o matou pela segunda vez de “traumatismo craniano”.  A outra corrente de pensamento, liderada pela turma do “Tomé “ defende que o peixe nunca ressuscitou e que aquilo não passou de emocionalismo  barato , e que o  o Keilinho nem era tão “espiritual” assim  para protagonizar aquele feito. A verdade é que a experiência ficou, a história é verídica deixou-nos algumas lições:
                  No   “congelador” podemos conservar tudo. Mas  será que realmente devemos? A nossa mente é um arquivo maravilhoso. Nela conservamos imagens, fatos, acontecimentos, lembranças que muitas vezes acompanham-nos pela vida toda. Acontece que muitas destas memórias  são  tão dolorosas que ao relembrá-las sofremos tudo novamente. Existem situações tão graves que podemos precisar até de ajuda profissional  para superar  aquele trauma vivido. Outros, julgados de menor proporção subestimamos, e como o cachorrinho que fica “correndo atrás do rabo “ sem sair do lugar, guardamos conosco, sofremos repetidas vezes, deixamos de crescer, porque  não conseguimos superar. Convido a você neste momento para fazer uma faxina no seu  “congelador”. Pare de guardar consigo coisas que te prendem ao passado, que não te permitem viver bem o hoje, o agora!  Abra espaço para conservar e guardar somente valores que lhe acrescentem, que lhe sejam preciosos.
              “Ressuscitar” é o campo de atuação de Deus. Existem coisas na vida da gente que morreram e nunca mais vão voltar, temos que aprender a conviver com isto. Mas também temos que entender que existem coisas preciosas que podem voltar a ter vida, se tivermos a fé necessária para tal. Por exemplo: Aquele relacionamento familiar que foi  interrompido por uma briga, uma discussão. Pais que ficam anos e anos sem falar com seus filhos ou vice-versa. Podemos resgatar o tempo perdido com uma atitude de fé: Acreditar que assim como nós, aquela pessoa está sentindo a nossa ausência, a nossa falta. Ter a humildade e  a confiança que podemos recuperar aquele relacionamento tornando-o melhor e ainda mais saudável do que um dia foi.
Certas situações são tão complicadas, que tenho que reconhecer que existem  alguns “mortos” mais fáceis de ressuscitar que outros, mas como eu disse na abertura: Este é o campo de atuação de Deus! Deixe-o  ajudá-lo  nisto. E isto vale para todas as áreas da vida!
      Convido a todos  a refletirem sobre a existência de “mortos no congelador”. Sobre a necessidade de uma limpeza. Eu mesma enquanto escrevo tenho necessidade disto. Preciso jogar muita coisa no lixo. Quem sabe agindo assim, Deus veja nossa atitude de obediência e fé e resolva ressuscitar coisas que já nem tínhamos mais esperanças de serem resgatadas?
      “Purificação e ressurreição” eis os milagres que preciso e desejo para mim e para todos neste dia!!!
                                                                    Beijos,
                                                                    Matilde (Tuca)

10 comentários:

Cancer de Mama Mulher de Peito disse...

Oi, Tuca.

Obrigada pela visita lá no blog.
Estou chegando aqui pela primeira vez, e em meio a dúvida.
Escrever ou não diariamente?
Como pude observar tudo no seu blog é feito com muito carinho, pensando em quem está aqui do outro lado.
E sendo assim, seja sempre espontânea.
Se der vontade de escrever até mais de uma vez por dia.
Faça-o, se acontecer de ficar alguns dias sem blogar.
Seus seguidores e principalmente os amigos irão entender.
O importante é ter espaços como o seu.
Beijos
Wilma
www.cancerdemamamulherdepeito@blogspot.com

Anônimo disse...

Muito engraçada a história, posso imaginar a sena....rsrsrs....Acho que vc deve escrever todos os dias sim, ou sempre que estiver com vontade. Bjs.....Laiza

Marina da Silva disse...

Olá Tuca,
Legal sua escrita, muito bem escrita. Dei uma zapeada geral para saber sua história e o porquê do blog. Escrever é importante para vc lidar com o perrengue que está passando e para quem está na mesma jornada em busca da cura, serve de exemplo e apoio. Se optar por escrever diariamente ou semanalmente avise seus leitores num post e saiba que seus seguidores sempre saberão quando tiver post recente.
Eu escrevo semanal, meu braço dói com a digitação e republico o blog no www.aatrocha.blogspot.com
A verdade é que quem entra num blog de câncer quer saber é do seu dia a dia, seu tratamento, como vc vivencia no trabalho, família, marido, filhos. Quer saber como é a sua quimio, se a radio queimou muito, que negócio é esse de her2. Não se preocupe em "escrever" um livro formalizado e tal, escreva livre e seja espontânea. Saiba que seus depoimentos ajudarão muitas outras vítimas do câncer. Fica com Deus. Abraço. Marina

O Baú do Xekim disse...

OI Matilde, boa noite.

Te encontrei no blog da Wilma, e espero te encontrar mais vezes.
Sou tambem um homem que participa nas lutas e campanhas do câncer da mama.
Meu blog tem divulgado tudo o que tem a ver com o assunto.

Te desejo um lindo final de semana.
Bjs.

Anne disse...

Oi, Tuca.
Obrigada pela visita!
Adorei este capítulo.
Beijos, Anne

O Baú do Xekim disse...

Olá Tuca.

Que bom. Adorei a tua visita ao meu blog.
Claro que apoio a tua (nossa) causa.
A maioria das minhas seguidoras do blog, têm ou tiveram c. da mama.
Quando voltares ao meu blog, procura á direita do blog e verás que estão lá grandes GUERREIRAS como tu.

Continua teu fim de semana com saúde e paz.
Beijinhos.

Amanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amanda disse...

Oi Tuca,
Quando estou lendo as suas estórias, parece que estou vendo um filme..., viajo nas suas aventuras, fico feliz por suas conquistas e algumas outras vezes trazem grandes emoções, lições de vidas e refelxões importantes que fortalecem a nossa caminhada.
Por favor, continue postando mensagens diárias...
Um super beijo!!!
Amanda

Keilor disse...

Essa foi D+!
Eu estou no time dos que acham que a carpa ia ressuscitar! ;)

Super beijo!!!

Amamos vc!

Keilor, Paty e Evelyn

Elizandra Corrêa disse...

Lindo texto, comecei a ler todo o blog, e este texto falou muito ao meu coração. Levanta e vai escrever mais textos. Pleaseeee!!!

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